Oi, sumidos,
Já nem lembro quanto tempo faz, nem sei se ainda consigo escrever uma carta, mas aqui estou… de volta, para a alegria do Brasil!
Às vezes, na vida, a gente vai tomando rumos diferentes, como o Rio Fish, que serpenteia os desfiladeiros do Fish River Canyon, mudando seu curso, seu volume e sua velocidade a depender da época do ano. Na vida, nossos propósitos ficam mais distantes — seja por cansaço, distrações ou pela correria que a própria vida nos impõe — e tudo acontece de forma tão sutil e natural que, quando percebemos, já não estamos mais olhando para onde deveríamos.
Então, ficamos diante de um dilema interno: mudar de vez o curso e seguir para onde as águas estão nos levando, ou retomar o caminho que, anteriormente, foi definido — e essa é uma decisão muito mais, digamos… difícil do que a outra. Difícil porque requer coragem para recomeçar e humildade para reconhecer a própria falha.
Esse é um ato nobre. Muitas vezes, até mais nobre do que a disciplina de quem nunca se desviou.
Digo isso porque todos temos — uns mais, outros menos — o orgulho pulsando dentro do peito, que muitas vezes nos impede de “recomeçar pequeno”: esquecido, devagar. Isso acontece porque nos esquecemos que recomeçar é um gesto de grandeza, pois nos obriga a reconhecer que somos falhos.
Não é verdade que o orgulho nos quer perfeitos? Incapazes de cometer erros e falhas? É por isso que recomeçar exige mais de você do que o primeiro passo.
Por isso, quero lhe fazer uma pergunta: o que está parado na sua vida que, outrora, lhe proporcionou energia e disposição, mas que agora está como o Fish River em época de seca — sem fluxo, parado, quase inexistente?
Esse é o momento que mais nos exige humildade e força — e isso é uma grande escola de crescimento. Se você voltar, retomar o que ficou parado, assim como estou fazendo com esta carta, isso trará uma grande oportunidade de amadurecimento.
Por isso, eu lhe convoco: vá! Retome o curso daquilo que você outrora decidiu!
A vida é feita de altos e baixos. Hora estamos caminhando com todo fluxo; hora estamos atravessando uma seca que faz com que nosso curso d’água desapareça. Mas o que realmente importa é a direção para a qual você decide caminhar.
O que importa é levantar e retomar o rumo.
Vá… e não desista.
Um abraço,
Felipe



